Skip to main content
search
0
Escolha do Sommelier

Escolha do Sommelier: A Ceia de Natal

Duvel Ceia de Natal 75 cl dois copos

A poucas semanas do Natal, é altura de pensarmos nos convívios com a Família e os Amigos, e nas belas refeições que partilharemos e, em particular, a Ceia de Natal. Talvez o melhor cartão de visita da gastronomia Portuguesa seja a época natalícia, uma montra de sabores de Norte a Sul do País, incluindo os riquíssimos doces e queijos da Madeira e dos Açores.

Há vários anos que combino os típicos pratos desta época festiva com cervejas, umas mais típicas do que outras. A evolução dos pairings tem sido cada vez mais harmoniosa e desafiante. Como beer sommelier devo, porém, alertar para o facto de que, escolhas mais ou menos bem conseguidas, dependem em muito do gosto pessoal, do estado de espírito e da temperatura ambiente e de serviço quer das cervejas, quer dos pratos, sem nunca esquecer o tipo de copo.

Aperitivos, Charcutaria

Os aperitivos são muito importantes para orientar a restante refeição. Os Bolinhos de Bacalhau, tão característicos do Norte de Portugal, gosto de acompanhar com uma BITburger Premium Pils, seca e amarga para contrastar com a fritura estaladiça. Já para as Tábuas de Charcutaria, a La Trappe Blond é perfeita para equilibrar o sal e o fumo dos enchidos.

Bacalhau, Polvo

Para o primeiro Rei da noite de Consoada, o Bacalhau, que se quer em postas competentes, cozido no ponto de se lascar ainda com a gordura gelatinosa, tão saborosa, gosto de abrir uma Duvel, em garrafa de 75 cl ou até a garrafa Magnum de 1,5 l. O equilíbrio do CO2 e a secura desta Belgian Strong Ale é ideal para enaltecer a nobreza do fiel amigo.

Típico em Trás-os-Montes na mesa do jantar de 24 de dezembro, é também o Polvo cozido. Tenro e regado com um fio de azeite quente, o pairing eleito é a Erdinger Schneeweisse, uma Weissbier de edição sazonal e limitada. Aveludada, aromática e com uma cor intensa que, servida no copo próprio, faz uma mesa distinta e muito elegante.

Obrigatório no almoço de Natal é também a Roupa Velha |Farrapo Velho, e para esta iguaria de bacalhau a companhia perfeita é a Chimay Triple ou a sua versão Magnum Chimay Cinq Cents, pois o amargor desta Trappist Triple combina muito bem com os sabores do Bacalhau, Legumes e Azeite deste prato tão querido do nosso Natal.

Carnes Brancas

Seja na Consoada ou no almoço do Dia de Natal, há quem também escolha um Galo caseiro ou um Perú bem assado e recheado e, para estas aves, a escolha recai sobre a recém-chegada Boon Geuze Mariage Parfait, subtil na sua acidez e ligeiramente frutada, em perfeito equilíbrio com a maciez destas carnes brancas.

Se a opção for por um Ganso ou um Pato assado, o pairing ideal é a Tripel Karmeliet! Uma cerveja completa e requintada, com boas notas a cereal e frutas de outono, servida idealmente em garrafa de 75 cl, pois não só a ocasião é de festa e de partilha, como a beleza da garrafa serigrafada enaltece qualquer mesa de refeição. O Copo desta cerveja é magnífico.

Carnes Vermelhas

Nalgumas zonas do nosso país, o Cabrito e o Lombo assado são presenças assíduas na mesa de Natal e, para estas carnes vermelhas, impõem-se a nobreza de fermentações mais musculadas como a St-Feuillien Grand Crú, a La Trappe Quadrupel ou até a Erdinger Weizenbock Pikantus, uma Weissbier escura, com 7,3% de álcool riquíssima no corpo e bouquet e perfeita para acompanhar estes assados.

Queijos

Antes de chegarmos aos doces, paramos ainda nas tábuas de queijos. O amanteigado da Serra pode e deve acompanhar-se com uma cerveja artesanal Portuguesa: a La Rosa Stout. Uma cerveja escura, intensa que tem no seu blend o Late Bottle Vintage 2017 da Quinta de La Rosa.

Já para o queijo amarelo da Beira Baixa, um Azeitão ou um Nisa, o pairing pode ser feito com a Timmermans Faro, cerveja belga de fermentação espontânea, muito equilibrada com notas de madeira e frutas maduras e com uma acidez espetacular. Impossível esquecer os queijos dos Açores, um S. Jorge de 18 meses é lindamente acompanhado pela nova Chimay 150 Anniversaire (Vert), a nova trappist, com proeminentes notas de lúpulo que equilibram o sal e o picante desta joia insular.

Bolo-Rei, Doces

E finalmente as sobremesas, e o segundo Rei da consoada, o Bolo. Rico em frutas cristalizadas, deve ser acompanhado pela Delirium Nocturnum pois as suas especiarias desta Belgian Dark Strong Ale vão fazer sobressair ainda mais a riqueza do famoso Bolo-Rei.

O tradicional Merengue de Banana dos Açores deverá ter a companhia da nova Duvel 6,66 e as Azevias de batata-doce do Alentejo são, para mim, acompanhadas pela La Trappe Isid´Or.

O muito apreciado Bolo de Mel Madeirense, tem à sua altura a Benediktiner Weissbier Dunkel, uma Weissbier escura, fresca e surpreendente pelo seu aroma e sabor.

As clássicas Rabanadas, com ou sem calda, fazem o “perfect-match” com a cerveja Monte Cristo, uma especialidade da Bosteels, com estágio em barricas de madeira e com um blend de vinho Sangiovese, uma casta originária da Toscana, Itália. Intensa, plena, persistente e muito reconfortante, como o Natal deve ser.

Brindemos ao que de bom temos e ao melhor que ainda virá!

Pedro Pimenta
Beer Sommelier & Honorary Knight  The Knighthood of the Brewers’ Paddle

Deixe um comentário

Seleccione um ponto de entrega